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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Momentos Especiais 5

Alguém me dizia que admirava a minha disponibilidade física e mental para acompanhar os meus filhos.
Sim, é verdade. Mas não considero que seja disponibilidade, é o que é.

Apoio-os o máximo que posso, sempre que posso. Porque me dá prazer, porque é bom estar com eles, porque é bom vê-los crescer.

Porque tudo vale a pena pelo SORRISO que me retribuem, pelos abraços, pelos beijos, pelo carinho, pela cumplicidade.

PORQUE É BOM SER MÃE.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"Menina do mar"

É um dos meus livros preferidos e hoje a pedido de algumas colegas voltarei a contar esta história para um grupo de crianças e adultos.

Adoro contar histórias.

Fiquei muito feliz com o convite.

Obrigada por se lembrarem de mim.



Há coisas que sabem bem:)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Gosto de ver os meus filhos deitados na cama e a ler com prazer...
Boa noite

domingo, 16 de janeiro de 2011

Uma crise planetária da educação

Uma crise planetária da educação


Martha Nussbaum é um dos grandes nomes da filosofia norte-americana contemporânea. Professora de Direito e Ética na Universidade de Chicago, é conhecida pelos seus trabalhos sobre questões do desenvolvimento. Martha Nussbaum e Amartya Sen [economista, Prémio Nobel em 1998], na década de 80, criaram o conceito de The Capability Approach que permite medir o desenvolvimento de um país, não em termos de PIB mas em função da liberdade dos indivíduos, culminando no trabalho The Quality of Life. Permite-nos reflectir sobre as questões levantadas sobre os jovens e o sonho da fama e do sucesso instantâneos (sem esforço e a qualquer preço). O texto, embora sendo um apanhado de excertos é longo, pelo que será transcrito em duas postagens.

Uma crise planetária da educação
Martha Nussbaum

Atravessamos actualmente uma crise de grande amplitude e de grande envergadura internacional. Não falo da crise económica mundial iniciada em 2008; falo da que, apesar de passar despercebida, se arrisca a ser muito mais pre­judicial para o futuro da democracia: a crise planetária da educação.

Estão a produzir-se profundas alterações naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos jovens e ainda não lhe afe­rimos o alcance. Ávidos de sucesso económico, os países e os seus sistemas educati­vos renunciam imprudentemente a competências que são indispensáveis à sobrevivência das democracias. Se esta tendência persistir, em breve vão produzir-se pelo mundo inteiro gerações de máquinas úteis, dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados, capazes de pensar por si próprios, de pôr em causa a tradição e de compreender o sentido do sofrimento e das realizações dos outros.

De que alterações estamos a falar? As Humanidades e as Artes perdem terreno sem cessar, tanto no ensino primário e secundário como na universidade, em quase todos os países do mundo. Considera­das pelos políticos acessórios inúteis, nu­ma época em que os países têm de desfazer – se do supérfluo para continuarem a ser competitivos no mercado mundial, estas disciplinas desaparecem em grande ve­locidade dos programas lectivos, mas também do espírito e do coração dos pais e das crianças Aquilo a que poderíamos chamar os aspectos humanistas da ciência e das ciências sociais está igualmente em retrocesso, preferindo os países o lucro de curto prazo, através de competências úteis e altamente aplicadas, adaptadas a esse objectivo.

Procuramos bens que nos protegem, satisfazem e consolam — aquilo a que [o escritor c pensador indiano] Rabindranath Tagore chamava o nosso «invólucro» material. Mas parecemos esquecer as faculdades de pensamento e imaginação que fazem de nós humanos e das nossas interacções relações empáticas e não simplesmente utilitárias Quando estabelecemos contactos sociais, se não aprendermos a ver no outro um outro nos, imagi­nando-lhe faculdades internas de pensa­mento e emoção, então a democracia é vo­tada ao malogro, porque assenta precisamente no respeito e na atenção dedicados ao outro, sentimentos que pressupõem que os encaremos como seres humanos e não como simples objectos.

Hoje mais que nunca, dependemos todos de pessoas que nunca vimos. Os pro­blemas que temos de resolver – sejam de ordem económica, ecológica, religiosa ou política – têm envergadura planetária. Nenhum de nós escapa a esta interdependência mundial. As escolas e as universidades do mundo inteiro têm, por conseguinte, uma tarefa imensa e urgente: culti­var nos estudantes a capacidade de se considerarem membros de uma nação heterogénea (todas as nações modernas o são) e de um mundo ainda mais heterogéneo, bem como uma noção da história dos dife­rentes grupos que o povoam.

Capacidade de referenciar culturas

Se o saber não é a uma garantia de boa conduta, a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de maus procedimentos. A cidadania mundial implica realmente o conhecimento das humanidades? 0 indivíduo necessita certamente de muitos co­nhecimentos factuais que os estudantes podem adquirir sem formação humanista – memorizando, nomeadamente, os factos em manuais padronizados (supondo que não contêm erros). Contudo, para ser um cidadão responsável necessita de algo mais: de ser capaz de avaliar os dados históricos, de manipular os princípios económicos e exercer o seu espírito crítico, de comparar diferentes concepções de justiça social, de falar pelo menos uma língua estrangeira, de avaliar os mistérios das grandes religiões do mundo. Dispor de uma série de factos sem ser capaz de os avaliar, pouco mais é que ignorância. Ser capaz de se referenciar em relação a um vasto leque de culturas, de grupos e de nações e à história das suas interacções, isso é que permite às democracias abordar de forma responsável os problemas com os quais se vêem actualmente confrontadas. A capacidade – que quase todos os seres humanos têm, em maior ou menor grau – de imaginar as vivências e as necessidades dos outros deve ser amplamente desenvolvida e estimulada, se queremos ter alguma esperança de conservar instituições satisfatórias, ultrapassando as múltiplas clivagens que existem em todas as sociedades modernas.

«Uma vida que não se questiona não vale a pena ser vivida», afirmava Sócrates. Céptico em relação à argumentação sofista e aos discursos inflamados, pagou com a vida a sua fixação neste ideal de questionamento crítico.

Hoje, o seu exemplo é o fulcro da teo­ria e prática do ensino da cultura geral da tradição ocidental, e ideias similares estão na base do mesmo ensino na Índia e noutras culturas. Se insistirmos em dispensar a todos os estudantes do primeiro ciclo uma série de ensinamentos da área das Humanidades, é porque pensamos que es­sas matérias os estimularão a pensar e a argumentar por eles mesmos, em vez de se resumirem simplesmente à tradição e à autoridade; e porque consideramos que, como proclamava Sócrates, a capacidade de raciocinar é importante em qualquer sociedade democrática. É-o particularmente nas sociedades multiétnicas e multiconfessionais. A ideia de que cada um possa pensar por si próprio e relacio­nar-se com os outros num espírito de respeito mútuo é essencial à resolução pacífica das diferenças, tanto no seio de uma nação como num mundo cada vez mais dividido por conflitos étnicos e religiosos.

O ideal socrático está hoje submetido a uma rude prova, porque queremos promover a qualquer custo o crescimento económico. A capacidade de pensar e ar­gumentar por si não parece indispensável para os que visam resultados quantificáveis.


Excertos do texto publicado no Courrier Internacional, n.º 175,
Setembro de 2010 (ed. portuguesa), com Trad. de Ana Cardoso Pires
[o texto publicado no Courrier Internacional, é uma versão condensada do primeiro capítulo do livro Not for Profit: Why Democracy Needs Humanities]

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O amor compra-se?

A pergunta foi feita pelo filho mais novo, a confusão instalou-se, os irmãos discutiam, o mais velho levantou a sua voz de comando e disse: “Os Sentimentos não se compram”


Num grande recipiente, misturamos todos os ingredientes que temos à nossa disposição, por vezes não percebemos que existem ingredientes que se misturados podem deteriorar-se, perder o sabor, a textura, a qualidade.

(O filho mais novo olhava para mim com os olhos arregalados, tentava acompanhar o meu raciocínio mas ainda com alguma dificuldade, o mais velho traduzia a minha linguagem dando exemplos práticos.)

Continuei…

Para fazer mousse de chocolate, por exemplo, precisamos de ovos, chocolate, açúcar e um pouco de manteiga.

Estes ingredientes interagem muito bem, experimenta adicionar limão ou vinagre, estragava a mousse, certo?

(Já percebi, respondeu-me, o dinheiro é como o limão ou o vinagre.)

O dinheiro não se pode misturar com o amor e quando alguém acredita que pode comprar o Amor com dinheiro acaba por danificar uma relação.

Até se pode andar iludido algum tempo mas rapidamente esse alguém vai começar a dar sinais de mau estar.

E quais são esses sinais?
Varia de pessoa para pessoa mas principalmente é o mau estar consigo mesmo.
As pessoas ficam amargas, ácidas ou azedas, o dinheiro é importante mas não o podemos misturar numa relação de Amor.

Obrigada mãe, o Amor é doce!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Os vossos sorrisos....

Os vossos sorrisos são a maior e melhor manifestação de carinho que um professor pode receber.
Percebemos e sentimos o significado da nossa profissão.
São os abraços, os beijos e as palavras doces que nos fazem ter a certeza de que estamos no caminho certo.
Obrigada pelos sorrisos, Obrigada por fazerem parte da minha Vida, Obrigada!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Filho: Não devias ter cortado o cabelo, mãe!
Eu: Não devia, porquê?
Filho: Fica-te mal
Eu: Muito obrigada...
Filho: Não é isso, agora não posso enrolar os meus dedos no teu cabelo.
Eu: Vai-te habituando, para a próxima vai ficar ainda mais pequeno.
Filho: Mãe! Assim deixas de ser tu!
Eu: Não, não. Sou a mesma, apenas mudou o comprimento do cabelo.
Filho: Qualquer dia pareces um Homem...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Reunião de Pais

Como E.E. dos meus dois educandos, faço questão de estar sempre nas reuniões, até porque também estou ligada ao Ensino e considero fundamental dar o exemplo não só aos meus filhos como também aos outros Pais.

Na última reunião em que estive, discutia-se uma vez mais a questão da SOPA!!!!
Como é possível?

Como Educadora, assisto a variados maus hábitos alimentares das nossas crianças mas com o tempo, lá se vão habituando a que pelo menos no Jardim/ escola a sopa faz parte de uma alimentação equilibrada e todos sabem que é desta forma que se inicia a refeição.

Espanta-me de facto que numa reunião de Pais de alunos que frequentam os 2º/3º ciclos ainda se coloque esta questão em cima da mesa!!!!!

Não sei qual a alimentação de cada um mas por favor pelo menos na Escola a SOPA existe e vai continuar a existir.

Com toda a certeza as nossas crianças não vão ficar traumatizadas, até porque comem sopa desde o Jardim de Infância.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Uma aventura...na Biblioteca

Chegou ao fim a minha aventura como Professora Bibliotecária. Tinha criado algumas

expectativas em relação a esta experiência; 4 anos, objectivos bem definidos, novos,

conhecimentos, novas aprendizagens, novos planos e novos projectos.

Fica sem dúvida a recordação de um ano fantástico.
Senti-me realizada e adorava trabalhar nesta área.

Eis que sai a Portaria nº 558/2010 de 22-07-2010 e todo o processo é interrompido.

É frustrante para um Professor continuar a sentir tanto desamparo, tanta falta de respeito.

Investi tanto de mim e valeu a pena, vale sempre mas o sentimento neste momento é de desilusão.

Não tenho dúvidas que a Dra Teresa Calçada e toda a equipa da RBE tenham lutado para alterar esta situação.

Foi um ano maravilhoso mas é chegado o momento de avançar...mais uma vez nesta vida de "viajante".

Espero voltar um dia a trabalhar nesta área.

Até lá desejo aos que ficam a continuação de um bom trabalho, aos que saíram como eu BOA SORTE.

Enquanto há vida, há esperança :)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

E porque gosto do que faço....

Apesar de ser ainda uma "menina" nestas andanças,já assisti a muitas alterações nestes 17 anos.

Reconheço que existem medidas necessárias para o bom funcionamento do sistema educativo mas muitas foram tomadas de ânimo leve por pessoas que não sabem o que é uma escola e por outros que há muito se esconderam atrás de uma secretária.

Tendo eu a certeza de que vim para esta profissão por opção,informo que não desistirei.

Abracei esta profissão por vocação.

Respeito alunos pais e colegas.

Já passei por algumas situações delicadas com Encarregados de Educação mas nem isso me fez baixar os braços.

A avaliação não me assusta, sei que jamais terei uma boa nota, logo não fico surpreendida, nem zangada quando ela chega.


Não vou com toda a certeza reclamar da nota que me for atribuída, pois aí estaria a comprar mais uma guerra, algo que não me interessa nada,pois só quero fazer o que gosto sem ser incomodada.

Sabemos das injustiças, sabemos das dificuldades, sabemos da falta de meios e em alguns locais da falta de recursos, sabemos que temos que nos fazer à estrada e que nem sempre as supostas colocações (por 3 e agora 4 anos são totalmente verdadeiras), basta uma ligeira alteração e lá temos que concorrer novamente.


Decididamente, estou preparada para tudo e não vou abrandar o ritmo ou o meu prazer em trabalhar pelas sucessivas e constantes mudanças em todo este processo.

Deixei apenas de acreditar no que dizem e aprendi a lidar da melhor forma possível.

Fiquei mais calma, mais tranquila e na verdade tudo acaba por se resolver, o que hoje é verdade, amanhã já não o é.

Aqui está um “soldado” que não vai baixar os braços.

São vocês que vão rodando, nós vamo-nos aguentando, com uns e outros…
Falo mais do que devia...

Tento lançar algumas questões para o ar, esperando que as pessoas se pronunciem, não falo do blogue mas sim de outro local, onde deixo frases soltas tal como tantas outras pessoas.

Apercebo-me que existem assuntos que são do agrado de todos, política, futebol e as desgraças do País (todas despoletadas por um só governo), consigo entender que temos uma facilidade incrível de encontrar sempre alguém para responsabilizarmos de forma a sentirmo-nos mais leves em questões que também são da nossa responsabilidade.

Mas como não estou aqui para mudar mentalidades, comento o que acho que devo comentar, sempre, quer gostem, quer não.

Como docente, coloco muitas frases sobre os problemas com que esta classe se depara mas pelos vistos o interesse não é nenhum, tenho pena, pois afinal os comentários ficam pelos corredores das escolas, assumir posições e dar a cara é muito mais difícil.

Vou continuar a deixar umas frases por aí de vez em quando.

A responsabilidade também é das escolas

A responsabilidade também é das escolas, ouvi mais uma vez este comentário em relação à separação do lixo doméstico.

Sinceramente já não sei o que pensar e que argumentos utilizar para que, quem faz estes comentários entenda que a responsabilidade é partilhada.

Ora vejamos, no pré-escolar inicia-se este trabalho; as crianças aprendem a separar o lixo, fazem jogos, cantam, representam em peças de teatro...este trabalho tem continuidade na vida académica de todos os alunos.

Então porque não está a resultar?

Se este projecto tem continuidade na escola mas não se realiza em casa...está explicado.

Dou um exemplo: recebo muitas crianças em casa porque tenho dois filhos e naturalmente gostam de convidá-las para brincar.

Na hora do lanche, reparo sempre na dificuldade com que se deparam para separar o lixo, pergunto-lhes sempre se não aprenderam na escola, a resposta é sempre positiva, pergunto-lhes se separam o lixo em casa, a resposta é sempre negativa.

Será necessário fazer mais algum desenho?

O mesmo acontece nos automóveis, uma criança que está habituada a colocar o cinto de segurança, entra num carro e é a primeira atitude que toma, quem não o faz por hábito, não sabe onde está o cinto, não sabe como colocá-lo nem tão pouco apertá-lo.

Por muito que se ensine na escola, não é connosco (professores) que as crianças vivem.

O exemplo vem de cima, é o hábito que faz o monge.

Quando os pais explicarem a importância de separar ou colocar o cinto, sem vacilarem, as atitudes mudarão, até lá ,continuará muito lixo por separar e veremos muitas crianças soltas dentro dos carros.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Para TI!

Anos mais tarde, observei a resposta de um antigo aluno, a uma pergunta de estudo do meio, sobre plantas.
Ele teria que diferenciar plantas selvagens e plantas domésticas e dar exemplos das mesmas.
A sua resposta foi simples e óbvia para a sua inteligência bem acima da média,
Todas as plantas domésticas também são selvagens, podem crescer naturalmente em qualquer lugar.
Sorri e lembrei-me da sua expressão quando se ultrapassava a si mesmo, no entanto a resposta tinha sido anulada, não estava correcta.
É esta a dificuldade da Escola quando se segue um programa estipulado por quem não está no terreno, por quem não sabe as verdadeiras necessidades daquele grupo ou daquela criança.
Os teus resultados nas pautas podem não ser os melhores mas não deixes que a Escola da forma como está estrangule as tuas capacidades.
Einstein foi um péssimo aluno.
Espero que um dia a tua mãe passe por aqui e que te transmita a minha opinião (se é que ela tem algum valor).
Foste, és especial, diferente de todos os outros.
Jamais me esquecerei.
Obrigada por ter tido a sorte de compartilhar um ano de trabalho contigo.
Com carinho
S.

Educação

Hoje escreverei sobre duas pessoas que me marcaram no meu percurso profissional; mãe e filho, Maria da Luz de Deus Ramos e António Ponces de Carvalho.
Numa aula, Dona Maria da Luz proferiu uma frase que me tem acompanhado ao longo da minha carreira “Sempre que um aluno não aprenda a responsabilidade é vossa, são vocês que Têm de encontrar a forma para chegar a ele”

Noutra aula, Dr. António explicou “que jamais deveríamos ser dúbios ao colocar uma questão a uma criança, isso iria permitir uma resposta que não pretendíamos”

Foi nesta casa que me formei…que me ensinou hábitos de trabalho, rigor, disciplina, compreensão, dedicação, paixão pela profissão.

Estas frases mantêm-se na minha cabeça desde então.
Obrigada